Brasil 1

Bóia 1
10 de maio de 2006

Brasil 1 pronto para o próximo desafio

 

Animados pelos últimos resultados na Volvo Ocean Race, os tripulantes do Brasil 1 partem nesta quinta-feira (11) para a sétima perna, que sai de Nova York, nos Estados Unidos, e chega a Portsmouth, na Inglaterra, com a confiança em alta. Desde o início da competição, em novembro, os brasileiros não tinham uma seqüência tão boa.
       
Em Baltimore, o time foi o segundo colocado na regata local. Na sexta etapa, de Annapolis a Nova York, o Brasil 1 terminou na terceira posição, conquistando seu quarto pódio (foi segundo na in-port de Sanxenxo e terceiro na etapa entre Vigo e Cidade do Cabo). Esses dois resultados seguidos dão ânimo novo. Principalmente porque agora subimos também na colocação geral. Estamos em quarto lugar, empatados com os holandeses. Passamos um tempão na quinta colocação e ver que estamos nos recuperando é sensacional, diz o comandante Torben Grael.
       
       Um dos motivos para essa recuperação é o entrosamento da equipe. Nas últimas etapas, estamos finalmente acertando e velejando muito bem, sem erros. Sempre confiamos no barco e temos certeza que ele é rápido, mas não estávamos velejando bem. Agora, estamos escolhendo os lados certos, acertando as manobras. Isso faz diferença, fala o timoneiro João Signorini.
       
       A confiança é ainda maior quando se lembra que durante metade da perna o barco velejou com uma armadilha de pesca presa à quilha. Psicologicamente, foi muito bom. Antes de tirar as linhas, víamos os outros barcos chegando e passando muito rápido. Largamos tão bem e perdemos as posições rapidamente. Mas quando liberamos a quilha, todo mundo acendeu de novo, declara André Fonseca, que mergulhou para cortar as linhas.
       
       De volta ao frio
       
       A sétima etapa terá 3.200 milhas náuticas, aproximadamente 5.900 km, atravessará o Atlântico norte e tem chegada prevista em oito dias. O objetivo da perna é quebrar o recorde transatlântico, entre o farol de Ambrose, na costa norte-americana, até a ilha de Lizard, na costa inglesa. Pode ser uma etapa bem rápida, se encontrarmos as condições ideais. Esse trajeto é histórico e tenho certeza de que a organização o colocou lá para quebrarmos o recorde, avisa Signorini.
       
       O tempo, porém, pode ser um desafio a mais para os competidores. Após uma das etapas mais cansativas da Volvo, os velejadores tiveram apenas dois dias para se preparar para mais uma pedreira. Pela previsão do navegador Marcel van Triest, os dois primeiros dias da etapa serão tão difíceis quanto a chegada a Nova York. Assim que sairmos de Nova York, vamos ter contravento forte. Essa é uma das condições que mais castigam os velejadores e o barco, explica Torben.
       
       Por causa das condições adversas esperadas e pelas encontradas na perna até Nova York, o Brasil 1 chegou a pensar em tomar a penalidade de duas horas e usar a ajuda da equipe de terra para fazer alguns consertos. Dos sete barcos da competição, apenas o espanhol movistar, com problemas no sistema de manivelas, vai tomar a penalidade.
       
       O diretor técnico do projeto e tripulante Horácio Carabelli, porém, arregaçou as mangas e já fez os reparos necessários. Era uma opção que teríamos usado se não tivéssemos o Horácio a bordo. Como foi ele que construiu o barco, sabia arrumar todos os detalhes, diz o comandante.
       
       O trajeto mais ao Norte traz outro temor para as tripulações, o frio intenso. Nos mares do Sul, pegamos água a cinco graus e acho que podemos pegar mais frio agora. Não vimos icebergs por lá, mas acho que podemos vê-los agora, declara Signorini. E, se na subida até Nova York, o frio já pegou, imagina agora, que vamos, de novo, para perto do pólo.
       
       No caminho até a Inglaterra, os competidores terão pela frente o último portão de pontuação da Volvo, na ilha de Lizard, bem próxima à costa inglesa. Segundo os velejadores, esse portão será uma espécie de bônus da etapa. Vamos velejar 90% da perna antes desse portão. A distância entre ele e a chegada é pequena e vai ser muito difícil as posições se alteraram muito, analisa Torben. Mas temos que lembrar também que ultrapassamos dois barcos aqui na entrada do Hudson, então, tudo pode acontecer.
       
       A classificação geral da Volvo Ocean Race é a seguinte: 1.- ABN Amro One, 70,5 pontos; 2.- Piratas do Caribe, 47,5; 3.- movistar, 47; 4.- Brasil 1 e ABN Amro Two, 42; 6.- Ericsson, 34,5 e 7.- Brunel, 2,5.
       
       O Brasil 1 é patrocinado por VIVO, Motorola, QUALCOMM, HSBC, Embraer, ThyssenKrupp, NIVEA Sun, Ágora Senior Corretora de Valores e Governo Brasileiro através da Apex (Agência de Promoção das Exportações do Brasil), Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ministério do Turismo e Ministério dos Esportes e apoio especial da Varig.
       
       Fonte: ZDL / www.boia1.com.br
       Foto: Luiz Doroneto / adorofoto

 

 

 


 
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