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Na vela dois erros e nenhum ouro
Na classe Star, Torben Grael e Marcelo Ferreira queimaram a largada
e ficaram com o bronze. Na Laser, Robert Scheidt caiu na catimba
do inglês Ben Ainslie e teve de se contentar com a prata
Jornal da Tarde
Parece incrível, mas uma largada queimada fez com que Torben
Grael e Marcelo Ferreira perdessem a chance de lutar pelo
bicampeonato olímpico, por uma medalha de ouro que poderia amenizar
o fiasco da participação brasileira na Olimpíada de Sydney. Os
brasileiros foram desclassificados da última regata na classe
Star do iatismo e o que restou foi torcer contra britânicos e
americanos. Mas foi em vão. Os Estados Unidos ficaram com o ouro,
a Grã-Bretanha com a prata e o Brasil com o bronze. Foi a décima
medalha do Brasil, que, até o momento, tem cinco de prata e cinco
de bronze.
A expressão de abatimento no rosto de Robert Scheidt denunciava
o que o iatista estava sentindo quando perdeu a medalha de ouro
na classe Laser, na 11ª e última regata da Olimpíada de Sydney,
para o inglês Ben Ainslie, seu principal rival nos últimos quatro
anos, desde os Jogos de Atlanta, em 96.
Quando começou a regata, Scheidt tinha vantagem de nove pontos
e estava perto da medalha de ouro, mas foi envolvido por uma armadilha
do inglês, que sabia que sua única chance seria tentar desclassificar
ou colocar o brasileiro abaixo dos 20 primeiros colocados. Barba
por fazer desde o primeiro dia - vinha dando sorte -, o brasileiro
terminou com a medalha de prata, um resultado importante, mas
considerado uma decepção para quem chegou tão perto do ouro.
Na Marina de Sydney, em Rushcutters Bay, Scheidt deu ao iatismo
do Brasil a sua 11ª medalha. Com isso, a vela empatou com o atletismo
em número de medalhas olímpicas, com a vantagem de ter quatro
de ouro contra três do atletismo.
Para Ben, que obteve o melhor resultado do iatismo inglês desde
a Olimpíada de 1908, a medalha foi o troco do ouro que perdeu
para o brasileiro em Atlanta, em situação semelhante - Scheidt
marcou o rival, forçando-o a queimar a largada. Os dois velejadores
protestaram por causa das colisões entre seus barcos na regata
final e pelo direito de passagem na primeira bóia. Ainslie dificultou
o mais que pôde a progressão do brasileiro e garantiu a medalha
de ouro. "É incrível, é um sonho que virou realidade. Tudo o que
vai volta", disse o inglês. "Faz parte do jogo, não estou decepcionado.
Mas vi o ouro passando muito perto de mim, principalmente após
a primeira regata do dia." Scheidt disse que, provavelmente, depois
que passasse a "adrelina" daria mais valor à prata.
Expressão abatida
Scheidt terminou a décima e primeira regata do dia em segundo
(resultado depois corrigido para primeiro, por causa de um protesto
contra Karl Suneson), com Ben em quinto (corrigido para quarto).
Tinha nove pontos à frente do rival. "Velejei muito bem, com vento
constante. A expressão corporal dele (Ainslie) estava abatida,
eu tinha moral, vinha andando rápido, tinha tudo para ter conseguido."
Mas foi na 11ª regata que Scheidt foi envolvido no jogo do inglês.
Ainslie usou a regra a seu favor quando cercou Scheidt na largada
e retardou a escapada do brasileiro, fazendo contra Scheidt um
match race (corrida barco a barco) particular. Scheidt cruzou
as primeiras seis bóias, em um match race com o inglês, quase
em último. Só no final veio o vento que o empurrou até a 22ª posição,
com o inglês terminando em 36º. Scheidt apresentou dois protestos
contra o inglês, que apresentou dois protestos contra o brasileiro.
Julgados, Scheidt foi desclassificado na última regata. O júri
entendeu, examinando o vídeo da prova, que Scheidt infringiu o
direito de passagem do adversário na primeira bóia. Apesar da
desqualificação, o iatista continuou com a prata, com 44 pontos,
contra 42 do inglês.
Contribuição:Espaço
Náutico
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